Leilões de centavos: oferta imperdível ou jogo de azar?


Depois que os sites de compra coletiva se popularizaram no Brasil, chegou a vez dos sites de “leilões de centavos”: cada comprador dá um lance sucessivo, que aumenta em R$0,01 o valor do produto. Como sempre, quem der o maior lance leva o produto. Só que você paga por cada lance que dá: não os R$0,01, e sim de R$0,70 a R$1. Parece pouco, não? Pois este tipo de leilão já foi chamado de “o pior engodo desde o esquema da pirâmide”. Conheça mais, e tome cuidado.

O leilão de centavos é algo bastante tentador. O Olho no Click, primeiro site do gênero no Brasil, mostra MacBooks brancos arrematados por 130 reais, 45 reais, até 5 reais! Tá, é o modelo 2009, mas esse você não acha por menos de R$2.000. De fato, quem ganha em geral sai sorrindo, por economizar mais de 90%.

O problema é pra todos os que perdem – e perder é muito fácil. Isso porque quem ganha não é quem aposta mais, e sim quem aposta por último. Quando você dá um lance de mais um centavo, o leilão acaba depois de 15 segundos. Mas se alguém der uma oferta maior, o leilão ganha mais 15 segundos. Aí você aposta de novo, e o leilão continua – e alguém cobre sua oferta. Se você não apostar de novo, perde não só o produto como o valor das suas apostas.

Pegue, por exemplo, este caso apontado pela IDG. No leilão de um iPad 3G de 16GB, um cara fez 1.563 lances. Ele teve que pagar até R$1.760 por eles. Ele ganhou o leilão, mas e se tivesse perdido? Sairia sem iPad e com quase dois mil reais a menos no bolso. Aliás, como saber que quem ganhou é uma pessoa real, e não o próprio site?

Os sites têm algumas compensações pra quem perdeu no leilão, mas até elas têm detalhes escondidos na letra miúda. Eles não só leiloam produtos como os vendem também, então dá pra comprar os produtos, descontando o valor das apostas que você fez – mas você só pode comprar o mesmo produto pelo qual fez as apostas. E o preço do produto é inflado: por exemplo, o tal iPad 3G de 16GB que mencionamos: o Olho no Click cobra R$2.500, mas a Apple o vende a R$2.050. Essa história de devolver seu dinheiro vendendo produto a preço inflado é coisa do extinto Carnê do Baú, do Silvio Santos.

Enfim, a chance de perder continua grande: não há como aumentar sua chance de ganhar nas apostas, porque quem ganha é quem aposta por último; e recuperar seu dinheiro significa gastar mais que por vias normais.

Jogo de azar?

Peraí, se este é um jogo de apostas onde os jogadores dependem da sorte… isto não é mais um leilão, é um jogo de azar! De fato, os leilões de centavos já foram chamados de “uma mistura de site de leilão, oferta limitada e máquina caça-níqueis”.

Segundo o IDG, os sites de leilão por centavos poderiam ser fechados se um juiz considerasse que sua atividade depende da sorte. Mas como a lei brasileira conta com uma lei antiga, de 1941, para aplicar a um caso bastante recente, fica a dúvida e o site pode funcionar normalmente.

O primeiro site do gênero nos EUA, o Swoopo, cresceu rapidamente desde 2008 (PDF), mas coleciona ofensas. No Brasil, o primeiro site também surgiu em 2008, mas só ganhou atenção ano passado, depois do fenômeno das compras coletivas. Agora, são pelo menos 15 sites ativos do gênero por aqui – Mukirana, Leiloeiro Maluco, Bidy etc. – e muitos meio suspeitos: alguns surgiram com tanta pressa que, segundo o IDG, aparentemente copiaram os termos de serviço uns dos outros.

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Algumas Dicas para os novatos:

Pesquise – Alguns sites e blogs costumam postar reclamações de consumidores insatisfeitos. Portanto, antes de se cadastrar em algum site de leilão, consulte o Lance Seguro, Vigilante dos Leilões e Reclame Aqui.

Registro – Outra dica é consultar o registro.br para verificar se o site está registrado na FAPESP e tem CNPJ.

Parcerias – Veja se o site tem bons parceiros no varejo para que seu produto seja entregue com nota fiscal e garantia.

Números – Desconfie se os números sempre fecharem muito altos. Num leilão transparente, o negócio é lucrativo, mas ocorre do produto fechar com valores muito baixos e o site ter prejuízo. Portanto, fique atento.

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