Os jogos retrô vêm sendo resgatados pela indústria e pelos consumidores


Videogames antigos deixam os sótãos empoeirados e ganham destaque em lojas e eventos. Movimento é impulsionado por empresas que ainda se baseiam na estética retrô para criar outros jogos

Sensores de movimento, múltiplas telas, gráficos tridimensionais em altíssima resolução e diferentes modos de interagir em rede com outros jogadores. Histórias complexas e personagens com árvores genealógicas, traumas e inseguranças. Características como essas se tornaram um padrão para os jogos eletrônicos lançados nos últimos anos, em busca de um consumidor cada vez mais exigente e com maior conhecimento tecnológico. Em um cenário paralelo, duas barras verticais continuam a rebater um quadrado branco, um protótipo de Indiana Jones ainda pula na cabeça de jacarés, e os sapos pixelados não param de atravessar ruas e rios.

jogosretroSe não reconhecer as descrições acima, tente pelo nome dos jogos: Pong, Pitfall! e Frogger. Nada? Colecovision, Odyssey e Telejogo lembram alguma coisa? Pois bem, tudo isso diz respeito às primeiras gerações de videogames, lançadas nas décadas de 1970 e 1980. Os chamados “jogos retrô” passaram muito tempo esquecidos, mas vêm sendo resgatados pela indústria e pelos consumidores.

No Brasil, o mercado de jogos antigos é tímido, mas insistente. A maior oferta de material é resolvida em fóruns na internet, que possibilitam o contato com colecionadores de todo o mundo. Daí em diante, é preciso lidar com outros problemas, como as taxas de importação. “Mesmo se a transação é feita num valor baixo, a Receita Federal pode contestar as notas fiscais e tributar sobre um valor estimado, baseado em produtos recém-lançados”, lembra Moacyr Alves Jr., presidente da Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games (Acigames) e colecionador.

Troca-troca
Em São Paulo, uma rede de lojas de eletrônicos criou uma seção especializada para comercializar as relíquias. Na prateleira, estão disponíveis jogos de NeoGeo, Sega Saturn e Game Boy Color, entre outros. O clássico Pac-Man para Atari, por exemplo, custa R$ 29. Já um console Super Nintendo em bom estado de conservação sai por volta de R$ 150.

Cafu Sampaio, supervisor de vendas, explica que a relação entre a empresa e os consumidores se baseia na troca por outros produtos. “A maioria do material é seminovo, porque as empresas já descontinuaram a produção”, afirma, garantindo o bom estado de conservação das peças. Mais informações estão disponíveis no site da empresa (www.eletromilgames.com.br).

O difícil acesso e a aura de antiguidade aumentam o fascínio pelos jogos, que continuam sendo referência para muitos produtos de última geração. “Os softwares independentes ainda bebem muito na fonte desses videogames antigos”, conta Kao “Cyber” Tokio, professor de design de games.

Ele cita como exemplo o 3D Dot Game Heroes, lançado no ano passado para PlayStation 3. Criado pela Silicon Studios, o jogo revive o visual 8-bits de seus “avôs”, misturando-o a uma plataforma de ação tridimensional. Além dele, franquias como Mario e Mega Man seguem fiéis a uma estética 2D e pixelada na maior parte de suas sequências.

Kao ressalta a importância dessas releituras para resgatar antigos consumidores, que cresceram e deixaram de lado os jogos. “É também uma forma de mostrar ao público mais jovem que, mesmo com o hardware espartano e limitado que tínhamos na época, era possível desenvolver jogos de qualidade”, complementa.

Emulação
emuladorPara quem não tem dinheiro ou espaço para encher a sala com diversos consoles, dá para experimentar a emulação nos aparelhos mais recentes. O Virtual Console do Nintendo Wii, por exemplo, permite ao usuário baixar jogos de diversas plataformas antigas, como Super Nintendo, Nintendo 64 e Mega Drive — a lista de jogos e o preço variam de acordo com o país. Para o portátil 3DS, o aplicativo oferece games de Game Boy (Color e Advance) e Nintendinho (NES). Até o fechamento desta edição, a empresa não havia informado a disponibilidade do serviço e os preços praticados no mercado nacional.

Quem tem um Xbox 360 em casa pode relembrar alguns títulos do Xbox original, lançado em 1999. Ok, não é tão antigo quanto um River Raid, mas a lista de jogos retrocompatíveis inclui Worms 3D, os primeiros títulos da trilogia Halo e até uma coletânea de games do Atari. A lista completa está no link http://bit.ly/iyRuaY.

No caso da Sony, a negociação é um pouco mais complicada. A retrocompatibilidade com jogos de PlayStation 2, presente na primeira versão do PS3, foi retirada dos modelos Slim, mais recente. Segundo a empresa, a decisão se baseou no “crescente aumento do PS3 nos Estados Unidos”. Como consolo aos usuários, o PS2 — que também roda discos do Playstation original — ainda é vendido em boa parte das lojas especializadas a preços razoáveis.

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